A RELAÇÃO COMPRIMENTO-TENSÃO, determina variações na produção de força muscular durante o TREINAMENTO COM PESOS ou em outras modalidades de treino e nos movimentos que realizamos em nossas atividades cotidianas. As microestruturas de um músculo, produzem tensão mecânica durante contrações concêntricas, excêntricas ou isométricas, resultando em determinados níveis de força muscular (torque). A força produzida por um ou mais grupos musculares, pode variar durante um movimento articular em virtude de diversos fatores, inclusive por maior ou menor afinidade entre as proteínas contráteis (actina e miosina) para a formação das pontes cruzadas. Quando durante um movimento angular em uma ou mais articulações essas microestruturas atingem então uma “posição ótima” de afinidade para a formação das pontes cruzadas, ou seja, um ângulo articular onde há possibilidade de um maior número de proteínas contráteis se acoplarem, o ponto de maior produção de força para aquele movimento é alcançado, que normalmente está próximo do ângulo de 90º para extensões ou flexões, aduções ou abduções, também variando com o braço de resistência (distância entre o eixo de movimento e o ponto de aplicação da resistência). A partir desse entendimento, podemos dizer que um ou mais músculos que entram em um momento de INSUFICIÊNCIA, apresentam queda significativa da produção de força resultante de uma alteração mecânica nas estruturas contráteis. Esse conceito básico é o mesmo inclusive para o músculo cardíaco (involuntário) em situações de patologia, a INSUFICIÊNCIA CARDÍACA.
Desta forma, menores magnitudes de tesão mecânica são atingidos em determinados ângulos articulares, principalmente próximos da amplitude máxima. E a partir desta linha de raciocínio, a INSUFICIÊNCIA ATIVA é resultado de uma sobreposição das proteínas contráteis, causado pela restrição do espaço para o deslizamento dos filamentos. Esta sobreposição, ocasiona uma menor formação quantitativa de pontes cruzadas e consequentemente, uma diminuição de força produzida no momento de maior aproximação entre os miofilamentos após o momento de posição ótima.
Já quando pensamos em INSUFICIÊNCIA PASSIVA, o distanciamento das estruturas contráteis, isto é, uma amplitude onde o alongamento das fibras musculares normalmente está próximo do maior ângulo articular a ser atingido, promove diminuição da produção de força contrátil por uma menor possibilidade de formação de pontes cruzadas em magnitude suficiente para se produzir bons níveis de força.
No treinamento com pesos, musculaturas encurtadas em relação à uma arquitetura funcional, podem entrar em insuficiência passiva e/ou ativa em pequenas amplitudes, sobrecarregando outras estruturas osteomioarticulares envolvidas diretamente ou não no movimento empregado no exercício, deixando clara a importância das sessões de alongamento (flexionamento) e execuções com boa amplitude de movimento.
Espero ter ajudado!
Forte abraço, obrigado.
Prof. Me. Adriano Serra – Fisiologista do exercício